Criopreservação

A criopreservação das células estaminais do cordão umbilical constitui, hoje, um importante recurso para o tratamento de diversas doenças. Geralmente descartadas durante o parto, as células estaminais do sangue do cordão umbilical do recém-nascido têm-se revelado uma alternativa real aos transplantes de medula óssea, sobretudo no tratamento de doenças do foro hemato-oncológico.

Através da criopreservação é possível conservar, a temperaturas muito baixas (196ºC negativos), as células estaminais existentes no cordão umbilical do bebé. Desta forma, as células podem ficar armazenadas durante anos, sem perder a sua viabilidade, para que, em caso de necessidade, possam vir a ser usadas.

Em Portugal, existe actualmente a possibilidade de fazer a criopreservação das células estaminais do sangue do cordão umbilical num banco privado ou no banco público. Nos bancos privados, também designados por bancos familiares, as células são criopreservadas para uso exclusivo do próprio ou da sua família, podendo ser requisitadas a qualquer momento. Em caso de opção pelo banco público, as células são doadas, o que significa que ficarão disponíveis para qualquer pessoa que delas necessite, não estando garantida a disponibilidade da amostra para o seu dador ou familiar compatível.

CÉLULAS ESTAMINAIS – O QUE SÃO?

O cordão umbilical é uma fonte privilegiada de células estaminais. Estas células têm a capacidade única de se auto-renovarem e dividirem indefinidamente, para além de poderem dar origem a células especializadas (diferenciadas), contribuindo assim para a renovação natural dos tecidos, regeneração de tecidos danificados e substituição de células que não estão a desempenhar a sua função ou que vão morrendo.

A sua utilização pode ser feita em dois contextos: alogénico e autólogo. No contexto alogénico (em que o dador não é o paciente), as células estaminais do sangue do cordão umbilical são utilizadas em casos de leucemias, linfomas e outras doenças, hereditárias ou adquiridas do sistema sanguíneo ou imunitário. Num contexto autólogo (em que o paciente utiliza as suas próprias células anteriormente criopreservadas), as células estaminais do sangue de cordão umbilical já foram utilizadas em doenças como a anemia aplástica adquirida, certos tipos de tumores sólidos (como neuroblastoma e retinoblastoma), Síndrome de Shwachman-Diamond, deficiência imunológica de adenosina deaminase em combinação com terapia genica e leucemia linfoblástica aguda.

Actualmente, é já possível fazer a recolha e criopreservação das células estaminais do sangue e do tecido do cordão umbilical que, pelas suas diferentes características, contribuem para aumentar as possibilidades de utilização terapêutica destas células.
O sangue do cordão umbilical é principalmente rico em células estaminais hematopoiéticas capazes de originar todas as células do sangue e do sistema imunitário, tendo por isso sido maioritariamente usado para tratar doenças hemato-oncológicas, como por exemplo leucemias e linfomas.
O tecido do cordão umbilical é rico num outro tipo de células: células estaminais mesenquimais. Estas células são capazes de originar células dos músculos, dos ossos, da cartilagem, da gordura, entre outras. Apesar do sangue do cordão umbilical também conter células mesenquimais, o tecido existente entre a pele e os vasos sanguíneos do cordão umbilical constitui uma das fontes mais ricas em células estaminais mesenquimais. Pela imaturidade e quantidade de células mesenquimais que se podem obter a partir do cordão umbilical, este é mesmo considerado a melhor fonte deste tipo de células.

Na Crioestaminal, o processamento do tecido do cordão umbilical é feito através de dois métodos.

O primeiro desenvolvido pela Crioestaminal para garantir a mínima manipulação laboratorial, permite o isolamento futuro das células estaminais mesenquimais, o que poderá possibilitar a utilização das células em múltiplas ocasiões e para fins diferenciadospor exemplo, no tratamento da doença do enxerto contra o hospedeiro ou em outras doenças como a Diabetes Tipo 1 e doenças autoimunes.

O segundo método de processamento para criopreservação das células mesenquimais do tecido do cordão umbilical, um exclusivo da Crioestaminal em Portugal, tem por base um processamento patenteado pela empresa norte-americana Auxocell e é utilizado por muitos dos maiores bancos de células estaminais do mundo.
Este método permite que as células estaminais do tecido do cordão umbilical, quando necessárias para fins terapêuticos, estejam isoladas e disponíveis de forma imediata, evitando assim um período de espera que pode atingir várias semanas. A par disso permite guardar mais células estaminais do que o método base.

O serviço prestado pela Crioestaminal é autorizado pela Direção Geral de Saúde (DGS). Para além disso, a Crioestaminal é ainda o único Banco de Criopreservação na Europa acreditado pela prestigiada Associação Americana de Bancos de Sangue (AABB) para o processamento do Sangue e do Tecido do Cordão Umbilical.

POTENCIAL TERAPÊUTICO

As células estaminais do sangue do cordão umbilical oferecem um potencial inestimável enquanto fonte terapêutica para o tratamento de mais 80 doenças, comprovada nos mais de 40.000 transplantes já realizados em todo o mundo. As células do sangue do cordão umbilical têm sido maioritariamente usadas no tratamento de doenças oncológicas, deficiências medulares, hemoglobinopatias, imunodeficiências e doenças metabólicas.
Actualmente, a utilização do sangue do cordão umbilical encontra-se em estudo, na fase de ensaios clínicos, para o tratamento da diabetes tipo 1 e lesões cerebrais em crianças e ainda de lesões da espinal medula, doença vascular periférica e perda adquirida de audição.

Em Portugal, a Crioestaminal é a empresa com maior experiência na libertação de amostras para terapia celular, tendo sido o primeiro laboratório português a libertar uma amostra, em 2007, para o tratamento de uma criança que sofria de uma Imunodeficiência Combinada Severa com recurso às células estaminais do seu irmão anteriormente criopreservadas na Crioestaminal (transplante alogénico). Desde então, foram libertadas mais 7 amostras para o tratamento de crianças com paralisia cerebral, com recurso a células estaminais do próprio e cujas melhorias verificadas ao nível da coordenação motora e visual se têm revelado promissoras.

No que diz respeito à utilização terapêutica das células do tecido do cordão umbilical estas podem ser utilizadas em combinação com as do sangue do cordão umbilical para ajudar a reduzir complicações associadas aos transplantes.
Num estudo publicado recentemente foram feitas infusões de células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical (UC-MSC) em 2 crianças com doença do enxerto contra hospedeiro aguda (aGVHD) esteróide resistente severa. A aGVHD melhorou significativamente após as infusões de UC MSC nos 2 pacientes, não tendo sido observados efeitos adversos. Este constitui o primeiro relato de uma aplicação clínica de UC MSC em seres humanos, e o procedimento parece viável e seguro. Os resultados observados sugerem que as UC MSC foram eficazes para o tratamento da aGVHD.
A nível mundial, estão actualmente a decorrer mais de 100 ensaios clínicos com células mesenquimais em doenças como a diabetes tipo 1, colite ulcerosa, cirrose hepática, cariomiopatias, esclerose múltipla, entre outras.

Os ensaios clínicos envolvendo o uso de células estaminais, quer do sangue quer do tecido do cordão umbilical, aumentam a esperança no alargamento do conjunto de patologias passíveis de serem tratadas com recurso a células estaminais.

Ao optar por fazer a criopreservação, no momento do parto, estará a assegurar que as células estaminais do seu bebé permanecerão viáveis durante pelo menos 25 anos e disponíveis para o seu bebé ou família.

Para mais informações sobre a Crioestaminal, aceda ao site.